Este site utiliza cookies. Ao navegar no site estará a consentir a sua utilização. Saber mais.

“Tolerância zero” para os que apostam ilegalmente

“Tolerância zero” para os que apostam ilegalmente

Suspeitas de jogos viciados já foram manchete por várias vezes só este ano.

Estima-se que os lucros só com as apostas online poderão chegar aos 8,8 mil milhões de euros na Europa.

por Academia   |   comentários 0

Por cá, em março, uma operação da PJ fez seis detidos no mundo do futebol – 5 futebolistas, todos da II Liga, e um membro da claque Super Dragões do Futebol Clube do Porto, suspeito de ser o intermediário entre os jogadores e os apostadores. No país vizinho, o escândalo rebentou depois de quatro jogadores, o treinador e o dirigente do Eldense terem manipulado o resultado de 12-0, a troco de quantias que podem ter variado entre os 150 mil e os 200 mil euros.

São casos que envolvem números “impressionantes” e que, Joaquim Evangelista, presidente do Sindicato dos Jogadores Profissionais de Futebol, tem consciência.

O nosso posicionamento perante isso é tolerância zero.”, diz Evangelista em entrevista à revista Sábado.

De forma a contornar esta questão que assombra o futebol português, o Sindicato apresentou um protocolo, em parceria com a Federação Portuguesa de Futebol (FPF), que suporta um conjunto de atividades para o alerta do fenómeno.

O “Deixa-te de joguinhos” baseia-se, essencialmente, em campanhas de balneário que dão a conhecer a postura que se deve adquirir para resistir, quais os sinais de abordagem e quais os canais para reportar. Canais esses onde se inclui uma aplicação que irá permitir fazer denúncias com segurança. Segundo Joaquim Evangelista, é mais uma ferramenta útil a quem muitas vezes se sente incapaz ou não se manifesta com medo que o seu comportamento possa ter consequências.”

Para além deste programa, um conjunto de medidas que visam a alteração da pena fizeram-se chegar à Assembleia da República – ao que o Marcelo Rebelo de Sousa já fez questão de promulgar, segundo uma nota colocada no site da Presidência da República.

No entanto, Evangelista admite que há “fatores em Portugal que potenciam o fenómeno da viciação”. Não descarta o incumprimento salarial como uma das causas, mas reforça a entrada de “investidores sem escrutínio” ligados a organizações criminosas ou mafiosas. Temos acompanhado os relatórios internacionais, e por exemplo na Ásia há máfias que têm a família do jogador refém”, exemplifica. Também o facto de no modelo de governação do futebol ser predominante a irresponsabilidade e a impunidade e, consequentemente, o dever da cidadania desportiva para reportar os casos ser descurado, em Portugal, um jogo da I Liga pode chegar a movimentar 32 milhões de euros.

Estamos a falar de toda a pirâmide do futebol, é uma ilusão estarmos a olhar só para as competições profissionais. Não é só I e II Liga. Nas competições amadoras isso é uma realidade. Isto movimenta triliões a nível mundial.”, acrescenta, fazendo referência a um jogo do Campeonato de Portugal (3º escalão) que pode fazer lucrar à volta de 122 mil euros, 150 milhões por ano.

Por vezes torna-se difícil reconhecer quando se está perante uma manipulação de resultados. Não é só em campo que a conduta do jogador deve ser questionada. “Há todos os antecedentes e os comportamentos depois do jogo, reuniões que se têm, pagamentos de dinheiro, há isso tudo.”

Em relação aos jogadores envolvidos em polémica, no ano passado, em Portugal, a suspensão foi tomada de imediato e mais tarde, foram aplicadas as devidas medidas de coação .
Será que vale a pena por 5 mil euros, ou até que sejam 10 mil, pôr em causa a sua vida profissional, pessoal e familiar? Porque um jogador que seja conotado com este fenómeno, acabou, está morto.”, questiona-se.

Segundo o Sindicato, a Liga e as entidades do futebol devem ficar encarregues de exigirem lealdade aos que competem. Se algo de anómalo acontecer, a competição deve ser mantida e a própria Liga deve garantir que os jogadores possuem condições económicas para levar até ao fim a sua atividade.

Dada por terminada a época, o clube deve ser sancionado. Se não cumprir com o prazo de pagamento, “pode descer de divisão e pode ficar impedido de inscrever jogadores”. Tudo isto medidas que Joaquim Evangelista acredita serem necessárias para acabar com este fenómeno.

Na Europa, o lucro das apostas online não param de subir: em 2014 eram 7,9 mil milhões de euros, mas este ano é possível que ronde os 8,8 mil milhões. Valores esses que não assustam quando comparados ao mercado ilegal de apostas na Ásia.

As pessoas falam do lucro que a FIFA teve com o Mundial do Brasil, que foi de perto de 4 mil milhões de dólares. Sabem o que eles chamam a 4 mil milhões de dólares no mercado ilegal de apostas na Ásia? Quinta-feira! Porque é a receita que fazem num só dia.”, remata Joaquim Evangelista.

 

Fonte: Sábado

, ,

Partilhar "“Tolerância zero” para os que apostam ilegalmente" via: